sábado, 27 de dezembro de 2014

A escolha de novos ministros no governo Dilma

A presidente Dilma Rousseff escolheu para seu segundo mandato um time de ministros que tem pouca ou nenhuma proximidade com as áreas em que atuarão a partir de 2015, numa demonstração de que os protestos de rua, as mobilizações por reforma administrativa e o debate em prol de uma nova política não sensibilizaram a presidente.

  O anúncio dos novos nomes da equipe vai na contramão daquilo que, por um breve momento, pareceu ser o tom do novo governo petista, a mudança de rumo. Depois de colocar Joaquim Levy no Ministério da Fazenda, ato que gerou elogios de analistas e funcionou para acalmar o mercado, que andava instável, Dilma volta a conduzir a máquina pública na base do fisiologismo. 

  Boa parte das principais cadeiras dos ministérios será ocupada por políticos derrotados nas eleições deste ano. Estão na lista o novo ministro da Pesca, Helder Barbalho (PMDB) - filho do senador Jader Barbalho (PMDB-PA) -, que tentou se eleger governador do Pará pela primeira vez este ano, mas perdeu para Simão Jatene (PSDB).

  Após um discurso de independência, o ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab, do PSD, se aliou ao PT e ocupará o Ministério das Cidades, pasta que tem o programa Minha Casa, Minha Vida como vitrine. Ele ficou em terceiro lugar na disputa por uma cadeira ao Senado por São Paulo, atrás do eleito José Serra (PSDB) e do segundo colocado, o petista Eduardo Suplicy.

  O loteamento dos ministérios para dar governabilidade a Dilma é só uma das faces perversas do fisiologismo secular na política brasileira, que obriga à composição de uma equipe sem o preparo imprescindível para o tamanho da responsabilidade. Com prestígio no Nordeste, o novo ministro da Educação e atual governador do Ceará, Cid Gomes (Pros), já indicou que, se depender dele, a remuneração do magistério brasileiro continuará precária. Durante greve da categoria em 2011, ele disparou: “Quem entra em atividade pública deve entrar por amor, não por dinheiro”. 

Ainda no primeiro escalão, o que esperar do novo titular da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aldo Rebelo (PCdoB), que deixa o Ministério do Esporte, no qual coordenou as ações do governo durante a Copa do Mundo? Essa área apresenta deficiência histórica no País, o que atrasa o progresso e prejudica a competitividade no exterior. Com certeza, mereceria um nome à altura. Ao que tudo indica, a presidente terá dificuldade em realizar um segundo mandato melhor que o primeiro.

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